Comecei a semana, domingo, abrindo a página do jornal que
dizia o desespero de uma mãe, pobre, de favela, que está junto a 13 milhões de
outros cidadãos procurando emprego neste país sem perspectiva.
Mãe que vai há meses atrás de um tratamento de saúde para o
mais novo de seus cinco filhos, doente, sem saber o que tem. O menino febril
não sai do posto de saúde ali perto, vomita na madrugada, dá ao desespero o
lugar do sono e em seus plenos sete anos olha para a mãe, que também é pai,
como a sua salvação.
Meus primeiros dias de julho começaram tristes. Na segunda,
também fiquei perplexo ao conhecer mais um caso de suicídio. Pobre homem que
tirou sua própria vida Deus sabe o porquê, e se juntou a outras tantas pessoas
que só por aqui, no interior da capital, desistiram de seguir. Uma corda na
janela, o sangue frio, o desespero e o fim.
Fim para ele, um recomeço a quem fica. A mesma notícia dizia
que o homem, cheio de boletos para pagar, deixou duas pequenas crianças, de 5 e
10 anos, que agora têm uma a outra e vão enfrentar o mundo com mais esse fardo
imensuravelmente pesado.
Na quinta, li que um empresário grande de Sergipe esperou
uma palestra do governador daquele Estado para se levantar em meio ao público
e, entre uma mentira e outra contada pelo político, deu um tiro em si mesmo. O
empresário também sucumbiu à desesperança da falência e de ver centenas de
trabalhadores serem mandados embora sem ter para onde ir.
Tento até conciliar as tristes notícias da semana, que se
repetiram na semana retrasada e provavelmente estarão de volta daqui a sete
dias. Procuro ver jogos de futebol, ler livros de fantasias ou literatura de
Fernando Veríssimo, tentando me abster ao máximo dessas linhas tristes que
realmente acabam com minha rotina. Mas vou te dizer, caro amigo, miseravelmente
eu falho.
Falho até porque não encontro outro tema a me agarrar.
Gostaria de ler uma notícia animadora ao começar o dia. Ligar a TV e ver o
âncora do jornal anunciar o futuro promissor. Ouvir no rádio o locutor avisar a
decadência do desemprego e o fim da insistente recessão econômica. Queria ter a
certeza que o filho daquela moça não morreu na fila do hospital...
Para terminar os dias que iniciam julho, em meio à chuva e
ao frio que caíram na cidade, vi passar a insistência na reforma que vai acabar
com a aposentadoria de muitos, e ainda lembrei que as próximas eleições vão
demorar a chegar, como se isso fosse um alento.
Tristes notícias, que acabam com a minha rotina.