25 de jan. de 2021

O genial Machado de Assis segundo o analfabeto Felipe Neto


Me deparei no início desta semana com uma grande discussão nas redes sociais. Páginas que sigo, de escritores e suas frases e pensamentos, não publicaram obras ou textos incríveis, que comumente alegram minha semana. Mas externaram uma preocupação e incitaram uma importante discussão em nosso meio.

O chamado ‘influencer’ brasileiro Felipe Neto (33 anos, cabelo colorido e 40 milhões de seguidores) criou certa polêmica ao externar uma das maiores bobagens que li nos últimos tempos.

Em uma rede social, disse Neto que: "Forçar adolescentes a lerem romantismo e realismo brasileiro é um desserviço das escolas para a literatura. Álvares de Azevedo e Machado de Assis não são para adolescentes! E forçar isso gera jovens que acham literatura um saco".

Discorremos sobre os argumentos em diversos fóruns e grupos literários.

Sou leitor de Machado e amante de sua bibliografia. Já li várias de suas obras e reli outras tantas. Tenho aqui inúmeras crônicas, contos, poesias, matérias, notícias. Meu armário de livros reúne algumas de suas maiores criações. Também conheço Álvares de Azevedo e sua criação romântica, que mudou uma era. E posso afirmar que eles não são “um saco”.

Sei bem que as leituras destes autores, e de outros de suas épocas, precisam sim de um mínimo, sobretudo, de paixão por nossa língua. Compreendê-los quer dizer conhecer a tão necessária e magnífica mensagem que estes passam em seus versos e frases. E é por isso que entendo ser indispensável oferecer aos nossos jovens conteúdos realmente literários, voltados ao que há de mais sensato e inteligente no mundo das letras.

Há uma grande preocupação entre educadores e escritores em não deixar morrer o que temos de único. O amor à prosa nos faz entender que precisamos manter o mínimo de senso aos alunos - crianças e adolescentes. Estes, sabedores da literatura de Machado e Azevedo, de José de Alencar, Guimarães Rosa, Vinícius de Moraes, Quintana, Drummond, Clarice... serão seres humanos vivos, que poderão envolver o mundo com as palavras certas, floreadas com a nossa ficção.

Lutamos assiduamente e diariamente para que hoje, mesmo neste universo arrastado com o que não precisamos, permaneçam os gênios: aqueles que sempre irão transformar gerações através de suas obras.

Neste mundo, tão maluco e que se faz necessário discutirmos algo tão óbvio, tentamos manter a nossa literatura viva, com a certeza de que daqui a décadas e décadas, permanecerão os ‘Machados’ e os ‘Azevedos’, e vão embora os ‘Felipes’.

 

 

Kallil Dib- Jornalista

Autor do livro 50 poemas de um sonhador

MTB: 75854

18 de jan. de 2021

Foi ser feliz e sonhar

 


E então eles partiram...

Deixaram as lembranças da vida e fotos rasgadas

Num dia, um fio de esperança

Para assim o destino mudar.

 

E ele conheceu o amor, a chuva, o frio

Fez lágrimas escorrerem

Sorrisos transbordarem

E magoou seu coração.

 

Que de tão partido, vivo, insano,

Estava assim: lindo

Pois viu maravilhas, amores, enganos

E até mentiu, num desvario.

 

Sem saber o que iria encontrar até o dia amanhecer

Deixou o sol brilhar, e foi ser feliz

De uma maneira tão inocente que não sabia

E soube: era amor.

 

Quando encontrou aquele olhar

Abraçou o mundo

Sentiu um perfume doce

E a felicidade chegar

Deixou o tempo responder tudo o que sempre sonhou

Amou, viveu, mas não esqueceu o seu primeiro delírio

E partiu para o paraíso

Ser feliz e sonhar.

4 de jan. de 2021

MARIA

 



Ela tem a pele macia, a boca meiga, o sorriso divino

O olhar intenso, cabelos ao vento, menina

Minha menina

 

Linda, passos largos

Voa com o tempo

Encanta à espera de um acalanto

Um abraço apertado

 

Segura nas minhas mãos como se fosse aprender

Sabida, sincera, menina

De cores, de flores, afazeres

Deveres que ainda não tem

 

Deve ser a dona desse mundo

Sonha como gente grande que é

Tem o futuro em seus sonhos

Num travesseiro da saudade, que não quero sentir

 

Dá medo ao pensar que um dia irá voar, voar, voar

Distante, sabe-se lá pra onde

Acalma saber que levará meu coração

Que já não me pertence mais

 

Sinto-me flutuando, encontro amores confusos

Amores que antes não conhecia

Não existia

Não me concebia

 

Maria, Maria

Meu dom, uma certa magia

Uma força, que como previu o poeta,

Me alerta

Me sustenta

Me carrega

Até onde ela quiser me levar

É Maria...