Me deparei no início desta semana com uma grande discussão nas redes sociais. Páginas que sigo, de escritores e suas frases e pensamentos, não publicaram obras ou textos incríveis, que comumente alegram minha semana. Mas externaram uma preocupação e incitaram uma importante discussão em nosso meio.
O chamado ‘influencer’ brasileiro Felipe Neto (33 anos,
cabelo colorido e 40 milhões de seguidores) criou certa polêmica ao externar
uma das maiores bobagens que li nos últimos tempos.
Em uma rede social, disse Neto que: "Forçar
adolescentes a lerem romantismo e realismo brasileiro é um desserviço das
escolas para a literatura. Álvares de Azevedo e Machado de Assis não são para
adolescentes! E forçar isso gera jovens que acham literatura um saco".
Discorremos sobre os argumentos em diversos fóruns e grupos
literários.
Sou leitor de Machado e amante de sua bibliografia. Já li
várias de suas obras e reli outras tantas. Tenho aqui inúmeras crônicas,
contos, poesias, matérias, notícias. Meu armário de livros reúne algumas de
suas maiores criações. Também conheço Álvares de Azevedo e sua criação romântica,
que mudou uma era. E posso afirmar que eles não são “um saco”.
Sei bem que as leituras destes autores, e de outros de suas
épocas, precisam sim de um mínimo, sobretudo, de paixão por nossa língua.
Compreendê-los quer dizer conhecer a tão necessária e magnífica mensagem que
estes passam em seus versos e frases. E é por isso que entendo ser indispensável
oferecer aos nossos jovens conteúdos realmente literários, voltados ao que há
de mais sensato e inteligente no mundo das letras.
Há uma grande preocupação entre educadores e escritores em
não deixar morrer o que temos de único. O amor à prosa nos faz entender que
precisamos manter o mínimo de senso aos alunos - crianças e adolescentes.
Estes, sabedores da literatura de Machado e Azevedo, de José de Alencar,
Guimarães Rosa, Vinícius de Moraes, Quintana, Drummond, Clarice... serão seres
humanos vivos, que poderão envolver o mundo com as palavras certas, floreadas
com a nossa ficção.
Lutamos assiduamente e diariamente para que hoje, mesmo
neste universo arrastado com o que não precisamos, permaneçam os gênios: aqueles
que sempre irão transformar gerações através de suas obras.
Neste mundo, tão maluco e que se faz necessário discutirmos
algo tão óbvio, tentamos manter a nossa literatura viva, com a certeza de que
daqui a décadas e décadas, permanecerão os ‘Machados’ e os ‘Azevedos’, e vão
embora os ‘Felipes’.
Kallil Dib- Jornalista
Autor do livro 50 poemas de um sonhador
MTB: 75854


