Preste atenção em seus
amigos, parentes, pessoas próximas. Pode não parecer, mas talvez elas estejam precisando
de ajuda.
Comecei a ver cores distantes de mim. Meu mundo já não era
como em outras épocas. Há algum tempo eu celebrava. Dava bom dia a meus
vizinhos, tomava cedo o café na padaria, ficava até tarde da noite conversando
com meus pensamentos. As cores, todas elas, faziam parte de meu universo. Meus
sorrisos, sinceros e amarelos, eram fiéis à minha rotina e se mostravam todo
tempo. Um jardim inteiro se aflorava em mim.
Mas as flores murcham, elas morrem.
De tanto festejar, fiquei para trás. Minha rotina se cansou.
Amigos que eu na verdade nunca tive se distanciaram por motivos que jamais vou
entender. Certa vez faltei da festa, outra vez fui embora mais cedo e aquela
outra me embriaguei sozinho. Quando me vi, cansei.
Nunca me apeguei a alguma religião. Respeitei os santos,
orixás, a qualquer Deus que o humano acredita e questionei aqueles que colocam
a ciência acima de todo este propósito. Sei que não foi esse o motivo de eu ter
chegado a meu limite.
Quando fui mandado embora do emprego que pagava as minhas
contas, me apeguei a um gole de cerveja a cada hora do dia. Me recusei a
levantar da cama e procurar outro trabalho. Apenas enxergava que eu era o
problema dessa hipócrita sociedade.
Parentes próximos se foram. Alguns mudaram de cidade, outros
se despediram desse plano. E me vi sozinho, em uma casa com cômodos bagunçados,
louça do mês passado, contas atrasadas e uma profunda tristeza em cada metro
quadrado. O fundo do poço, como dizem, chegou.
Uma luz à minha frente se abriu. Decidi pôr um fim a esse
lastimável estado de solidão. Um profissional poderia me ajudar. Psicólogo,
Psiquiatra, ou um andarilho na rua, certamente ouviria minhas lástimas. Mas nas
unidades de saúde do município não havia médicos. Uma consulta particular a 300
reais para alguém sem dinheiro para o almoço, não seria possível.
O fundo do poço se fechou.
Na minha casa, o lençol serviu para o caminho sem volta: o
maior pecado que cometi nessa minha inútil existência de 21 anos.
As flores murcharam, elas morreram.
Precisamos
falar sobre a depressão
A depressão é um distúrbio afetivo que gera uma tristeza
profunda, perda de interesse generalizado, falta de ânimo, de apetite, ausência
de prazer e oscilações de humor que podem acabar em pensamentos suicidas. Por
isso, ela precisa de um acompanhamento médico, tanto para o diagnóstico quanto
para o tratamento adequado.
A depressão atinge mais de 300 milhões de pessoas de todas
as idades no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a
estimativa é que 5,8% da população seja afetada pela doença. Em nosso país existe o CVV – Centro de
Valorização da Vida, que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio,
atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam
conversar, sob total sigilo 24 horas todos os dias, basta discar o número 188.
