12 de ago. de 2014

Rugas



Há alguns dias conversei com amigos sobre o assunto “velhice”.  Dissemos que nos custa a nos acostumarmos com o tempo que passa depressa, sem pedir licença. Tempo que deixa suas marcas e desafios, e ainda lembranças de uma vida bem vivida. E então, nos perguntamos: como será de ser a nossa velhice? Não sei!
Desenterrei algumas fotos que estavam guardadas dentro da gaveta da estante velha da sala. Algumas delas, empoeiradas, me faziam espirrar, e todas elas me trouxeram recordações tristes e felizes. Sinceras e esquecidas. De todas elas, recordações. Algum tipo de lembrança.
Comecei a reparar nos personagens daquelas fotografias. E percebi que o tempo voa mesmo. E para todo mundo, não pergunta a sua classe social, ou seu time de coração, ele apenas passa, corre.
Algumas daquelas pessoas que encontrei na caixa de fotografias já partiram dessa vida. Outras partiram da minha vida. E muitas delas ficaram, e envelheceram comigo. Ao ver fotos da minha infância, ao lado de meus falecidos avós, e algumas no colo aconchegante de meus pais, eu sorri por não ter nada a fazer. As lembranças foram minhas amigas. Minha infância foi cheia de amor familiar (o melhor de todos).
Enfim, voltei a me dedicar a analise dos rostos daquelas pessoas. E me abismei ao comparar a pele macia de minha mãe, que ainda continha linhas tênues de expressão, definindo suas bochechas rosadas de maçã.
Me assustei, pois as linhas tênues cresceram. E por mais que ela lute com o tempo, como toda mulher vaidosa faz, minha mãe envelheceu. Suas mãos estão calejadas. Seus olhos cansados. Seu sorriso ainda é encantador, mas, não ilumina o mundo inteiro como fazia antigamente. O tempo passou. O tempo passa para qualquer um, não se preocupe mãe. Eu já tenho barbas.
Chico Buarque, por exemplo, galanteador em sua época, com seus olhos de poeta e palavras de namorador, está velho. Mentes brilhantes também envelhecem. E suas marcas de expressão são tão evidentes quanto os seus sinais de cansaço. Para ele o tempo também passou.
Não me imagino, ainda, na posição de avô. Mas espero que minha idade avançada evidencie apenas sinais de experiência, e eu deixe por onde eu passar algumas garantias de felicidade e lembranças.
Acredito que a velhice é coisa da nossa cabeça, mãos, pés, joelhos, braços... O tempo passa, nada por aqui é eterno. Fotos talvez sejam eternas, e não evidenciam as inevitáveis marcas que o tempo deixou.

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