10 de jan. de 2019

O casal de velhos

 


Nos tornamos um casal comum. Às segundas saímos pra trabalhar com uma bitoca pela manhã e um bom dia de longe. Ela se arruma correndo – sempre perde a hora – pega a pequena com uma das mãos, as fraldas e a mamadeira com a outra e entra no carro. Esquece a chave e volta... está, como nos próximos dias, em cima da mesa. Eu sorrio, como farei de novo amanhã. Subo na moto e também vou pra minha rotina.

Às terças, saímos no mesmo horário. Hoje ela acordou mais cedo, passou a escova no cabelo bagunçado pra tentar me impressionar (eu sei), pegou as fraldas, a mamadeira, a chupeta e a pequena. Mais tarde nos vemos, contamos o dia sem tantas novidades assim, sofremos de sono enquanto nossa filha pula de lá pra cá, até se cansar.

Na quarta, adoramos um x-tudo à noite. Dia de futebol na sala e novela no quarto e uma criança correndo pelos estreitos corredores, protegida por um anjo da guarda que não a deixa enfiar a cabeça na quina da mesa. Os gols e o par romântico, na verdade, ficam pra depois... ou nem existem mais.

Na quinta, alguns amigos solteiros aparecem, mandam mensagens chamando pra alguma balada. E pensamos, ao olhar um para o outro, “só se for a balada da cama”. Gargalhamos, agradecemos o convite e esperamos algum outro casal, com filho e tão careta quanto nós, nos chamar pra uma pizza ou uma porçãozinha de batata no conforto do nosso lar.

A noite de sexta chega jogando areia nos olhos. O cansaço bate lá pelas 17h, quando o descanso vai batendo à porta. 

Até que vem o sábado. Usamos ele pra passear aqui ou ali. Nada que vá além de umas 16h, quando já estamos em casa, programando o filme que finalmente teremos tempo de assistir, depois, é claro, que um serzinho fechar os olhos. Tudo bem, pode ser tarde... Amanhã é domingo. Pois é, dormimos antes mesmo dela. O filme fica pra próxima.

E acordamos lá pras 11h. É domingo. Procuramos algum bondoso familiar que nos chame pra um almoço e acabamos sempre na casa dos pais. Nada que passe de uma tarde. Ficamos doidos pra ir deitar, no sofá ou na cama, qualquer lugar da nossa abençoada e bagunçada casa, que nos deixará prontos para a rotina de amanhã.

Daqui a pouco completamos 4 anos nessa intensa vida de casados. Conhecendo e nos acostumando com nossos costumes e aprendendo a respeitar a nossa rotina.

Como dizem por aí, somos “velhos”. Talvez... Não sei se envelhecemos cedo demais. Mas eu sei que se a velhice for isso aqui, é aqui que eu quero ficar!