Nos tornamos um casal comum. Às segundas saímos pra
trabalhar com uma bitoca pela manhã e um bom dia de longe. Ela se arruma
correndo – sempre perde a hora – pega a pequena com uma das mãos, as fraldas e
a mamadeira com a outra e entra no carro. Esquece a chave e volta... está, como
nos próximos dias, em cima da mesa. Eu sorrio, como farei de novo amanhã. Subo
na moto e também vou pra minha rotina.
Às terças, saímos no mesmo horário. Hoje ela acordou mais
cedo, passou a escova no cabelo bagunçado pra tentar me impressionar (eu sei),
pegou as fraldas, a mamadeira, a chupeta e a pequena. Mais tarde nos vemos,
contamos o dia sem tantas novidades assim, sofremos de sono enquanto nossa
filha pula de lá pra cá, até se cansar.
Na quarta, adoramos um x-tudo à noite. Dia de futebol na
sala e novela no quarto e uma criança correndo pelos estreitos corredores,
protegida por um anjo da guarda que não a deixa enfiar a cabeça na quina da
mesa. Os gols e o par romântico, na verdade, ficam pra depois... ou nem existem
mais.
Na quinta, alguns amigos solteiros aparecem, mandam
mensagens chamando pra alguma balada. E pensamos, ao olhar um para o outro, “só
se for a balada da cama”. Gargalhamos, agradecemos o convite e esperamos algum
outro casal, com filho e tão careta quanto nós, nos chamar pra uma pizza ou uma
porçãozinha de batata no conforto do nosso lar.
A noite de sexta chega jogando areia nos olhos. O cansaço
bate lá pelas 17h, quando o descanso vai batendo à porta.
Até que vem o sábado. Usamos ele pra passear aqui ou ali.
Nada que vá além de umas 16h, quando já estamos em casa, programando o filme
que finalmente teremos tempo de assistir, depois, é claro, que um serzinho
fechar os olhos. Tudo bem, pode ser tarde... Amanhã é domingo. Pois é, dormimos
antes mesmo dela. O filme fica pra próxima.
E acordamos lá pras 11h. É domingo. Procuramos algum bondoso
familiar que nos chame pra um almoço e acabamos sempre na casa dos pais. Nada
que passe de uma tarde. Ficamos doidos pra ir deitar, no sofá ou na cama,
qualquer lugar da nossa abençoada e bagunçada casa, que nos deixará prontos
para a rotina de amanhã.
Daqui a pouco completamos 4 anos nessa intensa vida de
casados. Conhecendo e nos acostumando com nossos costumes e aprendendo a
respeitar a nossa rotina.
Como dizem por aí, somos “velhos”. Talvez... Não sei se
envelhecemos cedo demais. Mas eu sei que se a velhice for isso aqui, é aqui que
eu quero ficar!

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Obrigado, volte sempre att.Kallil Dib