16 de dez. de 2019

Quatro crônicas de Veríssimo

 

Li para ela quatro crônicas de Veríssimo. Essa mulher precisava rir um pouco mais. E ao final das minhas frases, ela tirou dos olhos uma venda que tampava todo seu caminho. Agora enxergava o jardim à sua frente: viu que as flores que murcharam no inverno passado ainda não haviam ressuscitado. Jogou um pouco d’água e esperou elas se levantarem.

Pediu, então, para eu ler um pouco mais. E procurei em meu armário de madeira um livro marrom de capa dura e com páginas amareladas pelo tempo que já passou. Nele tinham histórias que ela poderia gostar. Mas eu sabia que outros contos, não tão engraçados assim, ela faria questão de logo esquecer.

Comecei a frase do meu texto novo tentando fazer com que ela se interessasse em minhas falas. Exagerei no tom e a bela moça me pediu para abaixar a voz. Disse que tinha alguém ao lado dormindo e que se acordasse àquela hora da tarde, iria dormir de novo tarde da noite. E ninguém ali aguentaria esperar a choradeira passar.

Agora minhas palavras saiam suaves. Eu segurava um livro de histórias em uma das mãos e uma caneta de cor azul na outra. A caneta acompanhava as linhas pretas com letras pequenas e que formavam frases enormes. Ela ia de baixo pra cima, guiando meus olhos.

Li para ela outra crônica de Veríssimo e mais uma de Márquez. E eu me entusiasmava a cada gargalhada daquela senhora.

Estávamos sentados já há muitas horas. Jogamos palavras fora a cada texto terminado. Era incrível como viajamos por tantos lugares, mesmo ela sentada em uma cadeira vermelha de renda e eu em uma poltrona amarela antiga, mas tão conservada quanto a felicidade escondida daquela moça.

- Eu preciso ir embora.

- Volte amanhã e leia mais crônicas de Veríssimo. Ela disse.

Meu caminho para casa foi cheio de felicidade. Campos floridos, olhos marejados, coração explodindo no peito. Eu tentei e mudei uma vida, pelo menos por algumas horas, com quatro crônicas de Veríssimo e mais um tanto de atenção.

19 de set. de 2019

O texto precisa de descanso

 


Diria minha professora de redação da faculdade de Ciências e Letras de Assis – Unesp: que "o texto precisa descansar". De um dia para o outro, se necessário. Amanhã, quando o autor ler novamente sua obra, da primeira até a última linha, vai mudar tantas vírgulas, colocar um verbo a mais, trocar o seu título. O texto de ontem já não é mais o mesmo.

Mas não são todas as obras que têm o privilégio de colocar as aspas para cima e deitar-se na rede, antes de perdurar pela eternidade. O próprio Machado de Assis, o maior desse legado, publicava seus textos sem qualquer sombra e água fresca. Lá no Diário do Rio de Janeiro, seu primeiro jornal, reclamava (vejam só) de ter que se adequar ao tempo de fechamento da edição, e não podia, pobre autor, descansar suas linhas.

Mas Machado era Machado. Afinal, mesmo sem qualquer trégua a seus pensamentos, produziu as melhores obras que já vi. Fico eu então imaginando como seriam suas crônicas e artigos, publicados diariamente no periódico, se tivessem tido um dia ou outro de folga.

Então, convenci-me a descansar meus textos. Mas me assusto ao vê-los um dia depois. Tiro daqui. Acrescento dali. E, se tivesse um espelho para essas escrituras, elas não se reconheceriam.

Este texto que você lê, deixei-o na gaveta. Ficou lá por algum tempo. Este próprio trecho aqui, acabei de acrescentar. Permiti a esta crônica talvez um tom mais agradável. Não gosto muito da parte de teorias. Prefiro a poesia das coisas: as cores dos ponteiros do relógio da parede, as letras desgastadas deste teclado, a poltrona carcomida pelo tempo, que me sento para escrever.

Verdadeiramente, meus textos precisam de descanso. Senão eles ultrapassariam uma lauda, ficariam enormes, sem qualquer chance de um jovem de hoje em dia apreciá-lo.

Em tempo: o primeiro parágrafo escrevi de lembranças que tive da sala de aula. O segundo, após ler trechos de “Memorial de Aires”, o último livro de Machado de Assis, de 1908 – ano em que ele se foi, e descansou.

14 de ago. de 2019

A mentira contada por um menino de 8 anos

 

“Chorei ao perceber que era fome”, disse a professora do menino de 8 anos que desmaiou em plena sala de aula em uma escola municipal do nordeste brasileiro. O garoto percorre todos os dias mais de 30 quilômetros para chegar à unidade escolar. Sai de casa quando o sol ainda não apareceu e volta quando ele já se despediu.

A fome é um costume que o acompanha no duro caminho das estradas de terra. Vai com a mochila e o caderno que ganhou do governo no ano passado. Caderno de cem folhas, que exibe na capa o slogan ‘Pátria Educadora’. Sandália de dedo, short azul e camisa branca esgarçada.

Chega à escola cansado, da rotina e de seus passos, mas espera pela merenda, que na verdade é um lanche com pão e manteiga, fornecido por volta das 15h30, no recreio das aulas da tarde. A sua última refeição tinha sido um prato de mingau de fubá, comido no dia anterior, que não o sustentou.

Sentiu dores no peito. Suas pernas e mãos tremiam, enquanto as lágrimas incontroláveis desciam por seu rosto. Desmaiou.

Os médicos foram chamados e atenderam logo ao pedido de socorro. Ao chegarem, encontraram um menino caído no chão. O examinaram rapidamente e deram o diagnóstico que ninguém havia cogitado por ali: era fome.

"A gente se sentiu impotente. Como uma criança desmaia de fome?", completou a educadora.

BRASÍLIA — Durante café da manhã com jornalistas estrangeiros no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro afirmou ser uma “mentira” dizer que existe fome no Brasil.

Sim, parece invenção de escritor metido a contar fantasias, mas acredite, são fatos: a história do menino que desmaiou de fome e a inexplicável fala do nosso presidente da República.

 

8 de ago. de 2019

Assinado, Isabella

Hoje eu tenho 16 anos. E daqui vejo que meu lugar foi preenchido pela tristeza. Quando eu nasci, você sorriu. Se orgulhou, me chamou de filha, de meu amor, minha princesa. Minha mãe, de rainha. Agradeceu aos céus com lágrimas nos olhos.

Depois tudo foi mudando...

Aos poucos parou de me levar ao parquinho, disse que trabalhava demais e não tinha tempo para bobagens. Eu entendia. Ficava triste, não vou mentir, mas nunca duvidei da sua dedicação.

Lembro quando chegava em casa tarde da noite e trazia um presente. Algumas vezes um chocolate, outras uma boneca ou apenas um beijo e um abraço apertado, que me confortavam. Contava histórias para eu dormir. E eu dormia como o anjo que virei.

Mas as coisas foram mudando...

Não insisti quando você decidiu se separar da minha mãe. Inocente, gostei da ideia de ter duas casas. Na primeira semana, adorei a novidade. Mas na outra tudo já era assustador.

Eu sentia aos poucos você separando nossos mundos...

Eu juro que tentei te deixar perto de mim. Pedi para você me levar à escola, o caminho de ida volta era suficiente para ficarmos juntos, mas você não quis. No outro dia pedi um sorvete, você não ouviu. Chorei para você enxugar minhas lágrimas, mas não fez. Na verdade, eu pedia apenas um pouco de amor, que você não pôde dar.

Eu não queria ser um problema que me tornei na sua vida. Hoje, aqui, depois de tudo que me fez, não consigo mensurar a dimensão da minha desilusão. Se aquele dia você pedisse para eu ir embora, pai, eu iria.

Eu sei o tamanho da tristeza que carrega em seu peito e conheço a escuridão em que se transformou a sua vida. A minha rotina, se agora, onze anos depois, deseja saber, é de anjo. Que sorri como a única coisa que aprendi em minha estada por aí e que chora por não ter tido alguém para chamar de pai.

Celebre seu dia e não se esqueça de mim.

Sua filha.

 

O texto é uma crônica de ficção, escrita com base na notícia: “Condenado pela morte da filha Isabella Nardoni, Alexandre Nardoni deixou, na manhã desta quinta-feira (8), o pavilhão 2 do complexo de Tremembé (SP), devido à saída temporária de Dia dos Pais. Ele foi condenado a 31 anos de prisão, em março de 2008, após ter asfixiado e jogado Isabella do 6º andar de seu apartamento”, publicada em 08/08/2019. 

10 de jul. de 2019

A notícia mais triste da semana

 

Comecei a semana, domingo, abrindo a página do jornal que dizia o desespero de uma mãe, pobre, de favela, que está junto a 13 milhões de outros cidadãos procurando emprego neste país sem perspectiva.

Mãe que vai há meses atrás de um tratamento de saúde para o mais novo de seus cinco filhos, doente, sem saber o que tem. O menino febril não sai do posto de saúde ali perto, vomita na madrugada, dá ao desespero o lugar do sono e em seus plenos sete anos olha para a mãe, que também é pai, como a sua salvação.

Meus primeiros dias de julho começaram tristes. Na segunda, também fiquei perplexo ao conhecer mais um caso de suicídio. Pobre homem que tirou sua própria vida Deus sabe o porquê, e se juntou a outras tantas pessoas que só por aqui, no interior da capital, desistiram de seguir. Uma corda na janela, o sangue frio, o desespero e o fim.

Fim para ele, um recomeço a quem fica. A mesma notícia dizia que o homem, cheio de boletos para pagar, deixou duas pequenas crianças, de 5 e 10 anos, que agora têm uma a outra e vão enfrentar o mundo com mais esse fardo imensuravelmente pesado.

Na quinta, li que um empresário grande de Sergipe esperou uma palestra do governador daquele Estado para se levantar em meio ao público e, entre uma mentira e outra contada pelo político, deu um tiro em si mesmo. O empresário também sucumbiu à desesperança da falência e de ver centenas de trabalhadores serem mandados embora sem ter para onde ir.

Tento até conciliar as tristes notícias da semana, que se repetiram na semana retrasada e provavelmente estarão de volta daqui a sete dias. Procuro ver jogos de futebol, ler livros de fantasias ou literatura de Fernando Veríssimo, tentando me abster ao máximo dessas linhas tristes que realmente acabam com minha rotina. Mas vou te dizer, caro amigo, miseravelmente eu falho.

Falho até porque não encontro outro tema a me agarrar. Gostaria de ler uma notícia animadora ao começar o dia. Ligar a TV e ver o âncora do jornal anunciar o futuro promissor. Ouvir no rádio o locutor avisar a decadência do desemprego e o fim da insistente recessão econômica. Queria ter a certeza que o filho daquela moça não morreu na fila do hospital...

Para terminar os dias que iniciam julho, em meio à chuva e ao frio que caíram na cidade, vi passar a insistência na reforma que vai acabar com a aposentadoria de muitos, e ainda lembrei que as próximas eleições vão demorar a chegar, como se isso fosse um alento.

Tristes notícias, que acabam com a minha rotina.

3 de abr. de 2019

Cartas à solidão

 


“A vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la (...) Tinha que ensiná-la a pensar no amor como um estado de graça que não era meio para nada, e sim origem e fim em si mesmo”. O amor nos Tempos do Cólera, Gabriel Garcia Márquez

 

A pior dor que um ser humano pode sentir é a da solidão. Não é tão simples quanto parece o que eu faço todos os dias: tomar um café na companhia dos cômodos quietos dessa casa escura, ouvindo o barulho das risadas lá fora, em frente ao retrato virado de cabeça para baixo. A dor mais forte que um ser humano pode sentir é a da solidão.

Nunca foi assim. Quando eu era mais jovem brincávamos de correr no pátio da escola, ficávamos até tarde na rua assistindo ao pôr do sol, tomávamos sorvete na praça da Matriz e íamos embora pensando em voltar. Hoje, sinto a dor da solidão.

Os anos se passaram e nos casamos. Tivemos filhos e netos. Tivemos paciência e amor. Tivemos 50 anos de união, até ela me trair. Lágrimas e dor. Conselhos, amparos, afagos. Nada disso eu quis. Hoje, me agarro nestas linhas para escrever com grande pesar sobre a minha solidão: a agonia mais intensa que um senhor pode conhecer.

A rotina simples do meu dia é esperar o amanhecer. Não ligo para nomes, novelas e jornais. Leio o mesmo livro há três meses e não termino por medo que tenho de ele também me deixar. Não quero chegar ao fim da história e perder meus companheiros diários. Mais do que isso, não quero decepcioná-los guardando na gaveta a incrível história dos amores perdidos nos Tempos do Cólera.

Ela me traiu. Enquanto eu termino esta frase, meus olhos se enchem de lágrimas e orgulho. Juramos a eternidade perante Deus, nossa família e amigos que nunca mais vi. Era uma promessa fácil de se cumprir, mas que, por uma razão que fugiu de meus domínios, não conseguimos. Em seu leito eu não entendia por que fechou os olhos antes de mim. E hoje eu sei que a dor mais forte que um ser humano pode sentir leva o nome de solidão.

Sentado nessa poltrona antiga, escrevendo cartas a qualquer remetente, tento voltar em meus pensamentos para dizer todos os dias que eu a amava, conforme ela esperava. Não tive tempo de presenteá-la como ela merecia. Não enviei rosas, pois eram caras. Não enxuguei suas lágrimas quando ela mais precisava. Eu apenas vivia ao seu lado. E ela nunca desistiu de mim, até hoje, quando deu suas mãos aos anjos.

É por isso que se um jovem casal vier me perguntar sobre os anos que tive ao lado de minha amada, eu ofereço alguns conselhos:

Diga bom dia. Deixe um bilhete na porta da geladeira. Preste atenção em qualquer vírgula de sua história tediosa. Durma ao seu lado, mesmo depois da briga. Afague suas lágrimas com mãos de conforto. Os dois precisam de um ombro amigo. Acima de tudo, ame. Demonstre esse amor e receba em dobro.

Hoje, escrevo cartas à solidão. A dolorida solidão, que tanto fiz para merecê-la.

7 de fev. de 2019

Memórias póstumas

 


Preste atenção em seus amigos, parentes, pessoas próximas. Pode não parecer, mas talvez elas estejam precisando de ajuda.

Comecei a ver cores distantes de mim. Meu mundo já não era como em outras épocas. Há algum tempo eu celebrava. Dava bom dia a meus vizinhos, tomava cedo o café na padaria, ficava até tarde da noite conversando com meus pensamentos. As cores, todas elas, faziam parte de meu universo. Meus sorrisos, sinceros e amarelos, eram fiéis à minha rotina e se mostravam todo tempo. Um jardim inteiro se aflorava em mim.

Mas as flores murcham, elas morrem.

De tanto festejar, fiquei para trás. Minha rotina se cansou. Amigos que eu na verdade nunca tive se distanciaram por motivos que jamais vou entender. Certa vez faltei da festa, outra vez fui embora mais cedo e aquela outra me embriaguei sozinho. Quando me vi, cansei.

Nunca me apeguei a alguma religião. Respeitei os santos, orixás, a qualquer Deus que o humano acredita e questionei aqueles que colocam a ciência acima de todo este propósito. Sei que não foi esse o motivo de eu ter chegado a meu limite.

Quando fui mandado embora do emprego que pagava as minhas contas, me apeguei a um gole de cerveja a cada hora do dia. Me recusei a levantar da cama e procurar outro trabalho. Apenas enxergava que eu era o problema dessa hipócrita sociedade.

Parentes próximos se foram. Alguns mudaram de cidade, outros se despediram desse plano. E me vi sozinho, em uma casa com cômodos bagunçados, louça do mês passado, contas atrasadas e uma profunda tristeza em cada metro quadrado. O fundo do poço, como dizem, chegou.

Uma luz à minha frente se abriu. Decidi pôr um fim a esse lastimável estado de solidão. Um profissional poderia me ajudar. Psicólogo, Psiquiatra, ou um andarilho na rua, certamente ouviria minhas lástimas. Mas nas unidades de saúde do município não havia médicos. Uma consulta particular a 300 reais para alguém sem dinheiro para o almoço, não seria possível.

O fundo do poço se fechou.

Na minha casa, o lençol serviu para o caminho sem volta: o maior pecado que cometi nessa minha inútil existência de 21 anos.

As flores murcharam, elas morreram.

 

 Precisamos falar sobre a depressão

A depressão é um distúrbio afetivo que gera uma tristeza profunda, perda de interesse generalizado, falta de ânimo, de apetite, ausência de prazer e oscilações de humor que podem acabar em pensamentos suicidas. Por isso, ela precisa de um acompanhamento médico, tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado.

A depressão atinge mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a estimativa é que 5,8% da população seja afetada pela doença.  Em nosso país existe o CVV – Centro de Valorização da Vida, que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo 24 horas todos os dias, basta discar o número 188.

10 de jan. de 2019

O casal de velhos

 


Nos tornamos um casal comum. Às segundas saímos pra trabalhar com uma bitoca pela manhã e um bom dia de longe. Ela se arruma correndo – sempre perde a hora – pega a pequena com uma das mãos, as fraldas e a mamadeira com a outra e entra no carro. Esquece a chave e volta... está, como nos próximos dias, em cima da mesa. Eu sorrio, como farei de novo amanhã. Subo na moto e também vou pra minha rotina.

Às terças, saímos no mesmo horário. Hoje ela acordou mais cedo, passou a escova no cabelo bagunçado pra tentar me impressionar (eu sei), pegou as fraldas, a mamadeira, a chupeta e a pequena. Mais tarde nos vemos, contamos o dia sem tantas novidades assim, sofremos de sono enquanto nossa filha pula de lá pra cá, até se cansar.

Na quarta, adoramos um x-tudo à noite. Dia de futebol na sala e novela no quarto e uma criança correndo pelos estreitos corredores, protegida por um anjo da guarda que não a deixa enfiar a cabeça na quina da mesa. Os gols e o par romântico, na verdade, ficam pra depois... ou nem existem mais.

Na quinta, alguns amigos solteiros aparecem, mandam mensagens chamando pra alguma balada. E pensamos, ao olhar um para o outro, “só se for a balada da cama”. Gargalhamos, agradecemos o convite e esperamos algum outro casal, com filho e tão careta quanto nós, nos chamar pra uma pizza ou uma porçãozinha de batata no conforto do nosso lar.

A noite de sexta chega jogando areia nos olhos. O cansaço bate lá pelas 17h, quando o descanso vai batendo à porta. 

Até que vem o sábado. Usamos ele pra passear aqui ou ali. Nada que vá além de umas 16h, quando já estamos em casa, programando o filme que finalmente teremos tempo de assistir, depois, é claro, que um serzinho fechar os olhos. Tudo bem, pode ser tarde... Amanhã é domingo. Pois é, dormimos antes mesmo dela. O filme fica pra próxima.

E acordamos lá pras 11h. É domingo. Procuramos algum bondoso familiar que nos chame pra um almoço e acabamos sempre na casa dos pais. Nada que passe de uma tarde. Ficamos doidos pra ir deitar, no sofá ou na cama, qualquer lugar da nossa abençoada e bagunçada casa, que nos deixará prontos para a rotina de amanhã.

Daqui a pouco completamos 4 anos nessa intensa vida de casados. Conhecendo e nos acostumando com nossos costumes e aprendendo a respeitar a nossa rotina.

Como dizem por aí, somos “velhos”. Talvez... Não sei se envelhecemos cedo demais. Mas eu sei que se a velhice for isso aqui, é aqui que eu quero ficar!